78f: o número que está a redefinir a logística urbana em Lisboa

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Na Avenida da Liberdade, em Lisboa, um condutor da empresa de entregas rápidas 'Sprint' verificou que o código 78f aparecia em três encomendas consecutivas. Não era erro do sistema. A empresa tinha acabado de implementar um novo protocolo de triagem baseado nesse identificador alfanumérico, e os resultados surpreenderam até os mais céticos: 22% menos tempo de processamento por volume.O 78f não é um simples código. Nasceu de um estudo interno da Associação de Logística Urbana (ALU) que analisou 1.200 rotas de entrega em cinco cidades europeias. A combinação '78' refere-se ao percentual de entregas que ocorrem entre as 7h e as 8h da manhã — um pico crítico — e o 'f' designa a frota flexível, composta por veículos elétricos de pequeno porte. Juntos, formam um sistema de priorização que redireciona automaticamente os pacotes para veículos compatíveis com o horário e a zona de destino.“O ganho não está na tecnologia em si, mas na forma como o 78f força a repensar a alocação de recursos”, explica Marta Ribeiro, coordenadora de operações da ALU. Ela cita um caso concreto: no bairro de Alvalade, onde as ruas são estreitas e o estacionamento é caótico, a aplicação do 78f reduziu as entregas falhadas de 15% para 4% em apenas três meses. O segredo?

O código sinaliza ao sistema que aquele endereço exige um veículo de até 1。80 m de largura e que a entrega deve ser feita antes das 8h15, quando os lugares de carga e descarga ainda estão livres.Nem tudo são flores. Motoristas relatam que a rigidez do 78f pode gerar conflitos. “Já me mandaram entregar um pacote marcado com 78f numa zona onde não há ponto de carga autorizado. Tive de estacionar em segunda fila e levei uma multa”, conta Paulo Mendes, condutor há oito anos. A crítica expõe uma falha: o código padroniza a prioridade, mas não resolve a infraestrutura urbana. A ALU reconhece o problema e estuda uma atualização — o 78f+ — que incluirá um alerta para trechos com restrição de paragem.O setor acompanha com atenção. A Federação Portuguesa de Transportes Rodoviários (FPTR) agendou para setembro um debate sobre a adoção do 78f em escala nacional. Enquanto isso, pequenas transportadoras já testam variações do código. Na Covilhã, uma cooperativa adaptou o 78f para incluir o horário de funcionamento dos elevadores de carga — um detalhe que parece banal, mas que evita esperas de até 40 minutos em edifícios comerciais.Ao que tudo indica, o 78f veio para ficar. Não por ser uma solução mágica, mas por expor, com números e nomes, aquilo que o setor sabia mas evitava encarar: a logística urbana precisa de regras claras para horários。veículos e infraestrutura. O código é só o começo. A verdadeira transformação virá quando as cidades entenderem que um identificador de três caracteres pode pressionar por mudanças muito maiores.

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